gift box

cap: 29


Hoje, pensando um pouco na vida, coisa que faço muito ultimamente...
pensei em algumas maneiras simples e facílimas de tentar melhorar a minha vida,a dos demais e do planeta...sem desculpas para isso ser trabalhoso:

Simplificando tudo no momento, passei a noite não dormida criando metas;

desde fechar realmente a torneira enquanto escovo os dentes,
a parar de esquecer a sacola retornável quando vou fazer compras,
a não comprar nada feito em países que usam mão de obra escrava ou infantil,
etc, etc, etc...
e a finalmente ter coragem de ensinar de fato aquilo que sei e ter humildade para aprender aquilo que finjo saber.

Nada como uma noite não dormida para mudarmos nossa vida e a do mundo inteiro também...rs.

Pois bem, mexendo em minhas correspondências recentes, encontrei uma carta;
(raridade em tempos de twitter, facebook, msn e sms)
isso mesmo, uma carta de uma amiga que mora no interior da Bahia, a qual certa vez, mandei uma caixa repleta de gifts carinhosos.


(livros já lidos, bolsas que nunca usei, sapatos idem, roupinhas,cds, dvs,canetas...tudo que encontrei sobrando em uma das minhas mudanças e não cabiam mais nas caixas..."

Meio que: "fenguishuizei" a vida!

Pois bem, minha amiga narrou na missiva o quanto ficou feliz com a "gift box" e como foi divertido dar sentido as "coisas" enviadas, mas principalmente ao amor nelas contido...

Ela aproveitou para dar uma olhada no seu guarda-roupas, e também fez uma outra caixa e enviou a uma prima que mora em Bento Gonçalves,

 (se lembrou que morava numa região quente e não precisava de tantos cachecóis,casacos, mantinhas, blusas de lã, etc, etc...)
coisas que vinha guardando e nunca usava.

A carta me contava o que a caixa representou para prima, que por sua vez, mandou de volta para outra amiga delas em comum,e você já pode imaginar onde isso vai dar...

Então lembrei do sincerão aqui, que tal, dar uma olhada com carinho nesse fim de semana ou no próximo...naquelas coisinhas que entopem o armário, foram caras, vindas de momentos impulsivos,ou meramente consumistas, etc...e na real não tem a menor utilidade?

Ao invés de deixar prá depois, que tal dar espaço ao novo em sua vida, abrindo mão daquilo que não "te pertence" mais???
Arrumar uma caixa, um endereço de alguém que vc quase esqueceu que ama, pelo tempo, distância ou anyway... e experimentar uma das melhores sensações da vida???
...a do DESAPEGO!!!

O desapego com carinho e amor, pode representar muito, muito mesmo para alguém que não seja apenas...si mesmo(a).

Vamos exercitar os músculos do coração,
do rosto...

dos braços...
criando assim sorrisos de surpresa?
Todos temos nossos amigos que há muito não falamos, sabemos a respeito, primos que nunca temos tempo de visitar mas por quem guardamos aquele carinho com gosto de infância feliz???

Cá entre nós:

"a gente só é verdadeiramente feliz, quando faz alguém feliz"!

Bóra tentar?

Love

me sinto conivente...

Cap: 28

Hoje aconteceu de uma culpa chegar...
até que ponto eu sou responsável,
ou não sou,
ou todos somos,
pelas mazelas e sequelas do mundo? 

Nunca gostei muito dos círculos onde todos  descascam qualquer ser ou assunto como exímios juízes e/ou especialistas,
tipo:
"técnicos da seleção brasileira em copa do mundo"...

o certo "era se",
"eu faria assim",
"ele tinha que ter feito assado"...

Please, não julgue ninguém,
e não por preceitos religiosos fervorosos apenas;
 "não julgueis para não serdes julgados..."

Não se pode julgar, quando não se faz melhor , ou sabe dos motivos que levaram alguám a...e pronto.

Vamos deixar de enrolararregaçar as mangas, calçar as chinelas, sair do salto e fazer algo a respeito do muito que se tem para melhorar ?

Podemos começar pela nossa: 
aldeia,
sociedade,
bairro,
cidade,
estado,
país,
planeta!

Esse questionamento, começou com apenas um vazamento, num chuveiro daqui de casa,
que insite em vazar, vazar e empoçar.
Já vieram três especialistas e o caso só piorou...
então hoje, me sinto péssima em ser conivente com o nada a fazer...

Se as gotas que caem sobrando aqui, caíssem nas latas de quem espera uma para beber, seria uma benção.

Me vejo a essa hora, tomando um bocado de providências, enchendo baldes e baldes com as mãos para tentar minimizar o desperdício, porque insisto, se sou conivente sou culpada também...

Então passarei a madrugada rezando para amanhã cedo realizar o meu plano de achar um "consertador" como Sancleide a nossa assistente insiste em chamar: o encanador,o pintor...etc, etc, etc.
Queria também achar um "consertador" para todas as dores do mundo sarar...ah sábia Sancleide, esse é mesmo o nome do homem que precisamos achar!  
Deixa eu me mexer e outros baldes encher.

Ella F. and Louis Armstrong - Let's Call the Whole Thing Off

Love Me Or Leave Me

Nina Simone

Sutilmente

perdoar-se...

cap 27:


Hoje acordei procurando respostas para tudo o que se foi e quem se foi na minha vida...
sinto falta de uma tia,
um tio com quem sempre sonho e já morreu,
meus avós, meu pai...
de sonhos que nem eram meus...
sinto saudade do tempo em que em outra cidade esperava minha mãe se arrumar para ir ao teatro, sempre achava que ela era a mais linda estrela a brilhar.
Lembro de dormir agarrada a um urso que eu achava...me protegia e no fundo confortava as muitas noites sozinha naquela Curitiba fria.
Difícil ser diferente, ser notívaga há anos atrás, não era muito entendido ou aceito, e desde que saí do berço, troco as madrugadas pelas manhãs...

Perdão certamente é a maior expressão de amor,
por si ou pelo outro, que somos nós também...
Me peço perdão diariamente desde então, por palavras não faladas, gestos impensados, telefonemas não dados...
ou dados demais, rs!

Amar sem perdão não funciona, mas perder-se nesse perdão é fome que a alma nos faz relembrar.
Deus reside dentro de mim, como EU, mas não quero o profanar dizendo que DEUS sou eu, eu sou parte de DEUS.
E como tal, tenho que me orgulhar daquilo que sou ou posso voltar ...a simplesmente ser...
Assistindo  ou lendo COMER, REZAR e AMAR, me vejo em vários momentos,
tentando me despedir de amores passados,
erros errados, pratos trocados, da busca sem cessar.
Busquei tanto que não tive tempo de encontrar é o que vejo agora...
Vou treinar o perdão, aos outros e a mim mesma,
vou fazer outros planos,
investir em outros ramos,
Vou viver de novo então.
Sorrir com os olhos, com a mente e a boca, que deve se manter mais fechada, até que a página virada não possa mais reviver.
Peço perdão a você e a mim, perdôo a mim e a você...também,
por algo que nâo lembro ter dito mais sei ou insisto ...era diferente do que trazia no coração.
Saudade dos primos,
dos novos irmãos,
saudade de um tempo em que sinto, ainda nem vivi...
saudades hoje, de mim!

BACH

escrevo...

cap 26:


peco desculpas pela falta de acentuacao, eh que estou usando outro mac e nesse nao acho a configuracao...
Esse comeco de ano, chegou meio que... arrombando, literalmente em alguns sentidos tambem...
Tivemos assaltantes em casa, e ate minhas romaas foram levadas,
acho que agora elas deverao ser plantadas, ja q espalhadas...estao.
No meio do transtorno e alvoroco, apareceu aquele moco, por quem meu coracao um dia cantou,
nao canta mais e isso feliz me faz,
Aconteceu, que no final do ano, tive alguma ajuda la do plano SUPERIOR, e achei ou fui achada por alguem que muito me apraz,
Ele eh gentil e sensivel,
inteligente e reservado,
carinhoso e eu adoooro imaginar que ja eh, meu namorado.
As vezes a sincronicidade acontece aqui ou em qualquer outra cidade, e aquilo que acreditamos no tempo da mocidade, volta a ser referencia e verdade...
Estou assim, amando alguem novamente, que me faz contente soh pelo fato de nesse planeta estar,
parece piegas, mas juro que amar nao eh brega, brega eh nao conseguir amar...
No mais, vou daqui escrevendo e pensando no meu proximo ano, que comeca agora de novo, como um recomeco feliz...

Pavilhão de Espelhos

"O AMOR"

recomeço...

cap 25:


Enquanto a vida segue, eu sigo com coração leve daqui... 
Desabafar, olhar nos olhos e ver o q sobrou e não sobrou me alivia...
Enfim, agora realmente recomeço livre esse começo de nova vida,
nova fase, novo amor!

Contos reais desse feriadão...

Capítulo:24...



Já estamos no começo de 2012, e eu preciso dividir os acontecimentos "ocorridos" por aqui...
Uma amiga,que veio para os festejos natalinos em seu próprio carro...se arrumou toda, preparou guloseimas, ajeitou a lista de músicas no I Pod e chamou um conhecido, sugerindo lhe dar uma carona até Natal, cerca de 400 km do seu ponto original de saída, e há uns 90 daqui...
Calibrou pneus, encheu o total flex, olhou no relógio e ligou avisando que estava saindo, para rastrearmos a trip...
Imaginamos que com eventuais paradinhas no máximo em 5 horas e meia, ou 6, ela estaria chegando.  Ledo engano,
passaram 5, 6, passaram 7...e nem ela atendia nossas ligações, nem telefonava...


Por razões bem conhecidas da maioria, sou bem "ligada" nesse cuidado, com estradas e viagens, até perdi um pseudo namorado, aquele censurado, pq fui monitorar a viagem q nunca chegava ao destino... eu preocupada e ele desaforado me chamou de "controladora", juro que era só carinho...(tadinho)rs.


Mas voltando a viagem da amiga em questão, essa me conhece há 20 anos e sabe q fico mesmo preocupada, eis o motivo da aflição...
porque não teria ligado até então...???
Passaram 8 horas e ...nada,quase desesperada, recebo uma bendita ligação falhando,onde no fundo se ouvia uma voz que parecia q grunhia...a gritar...eu nem conseguia minha amiga escutar...
O DÉDA leva moça...


Minha amiga ainda tranquila, se desculpou e
avisou que tinha esquecido de colocar óleo, pelo jeito há muito tempo, o carro que é novo,parecia ter fundido o motor...
Ela e o conhecido,tinham chegado num posto quase vazio, depois de muito caminhar...e só ouviam um bêbado que já de início começou a falar...


"O DÉDA leva..." 


O frentista, deu vários números de reboques conhecidos, mecânicos da região, foi gentil...mas por causa da data, todas as ligações foram em vão...
o bêbado cansando de dizer, já tinha começado a bradar a essa altura:


 Moça, eu já avisei...o DÉDA LEVA!


Sem que ninguém desse ouvidos e cabimento ao tão prestativo ser, ele mesmo foi caminhando pela estrada bradando...eu avisei, eu já disse... o DÉDA LEVA...e foi embora.


Eu daqui,comecei a tentar calcular a distância para mandar um socorro car , quando ... finalmente ela telefona de novo, rindo as gargalhadas, quase sem acreditar...
Eis a cena descrita e ocorrida:  ela olha prá estrada...de onde vem vindo um caminhão meio "desajeitado" e de certa forma inteirão, com o bêbado insistente gritando e buzinando ... eu não disse?


O DÉDA LEVA!!!


E não é que, o melhor socorro da região era mesmo o tão falado e anunciado DÉDA o dono do caminhão???


MORAL da história, melhor dar ouvidos a todos quando precisar, vai lá saber a boca de quem
seu  anjo vai usar prá te ajudar?!


E minha amiga chegou a tempo da ceia, com o  o DÉDA e uma latinha de cerveja na mão!

já é amanhã?

De repente parece que tudo pode mudar,
mais um dia e toda aquela esperança vai voltar,
o amor certamente esse ano vai chegar,
a roupa caber,
o sonho vai se realizar,
basta o dia raiar,
a sua música vai tocar,
aquele telefonema ele(a)vai dar,
seu coração você vai poder entregar,
as férias vão finalmente começar,
o seu ex vai...casar ?
O carinho vai sempre estar,
mil presentes ganhar,
o irmão abraçar, 
a doença acabar,
o sorriso lançar,
e a alegria vai aqui estar...

Nada como um dia inteiro pra sonhar com tudo aquilo que desejar...

Nada como uma noite inteira para transformar e realizar,
Nada como essa passagem para deixar mais belos os horizontes,
e poder esperar...o melhor, porque com certeza esse será o mais lindo ano que aqui...se viverá!

All You Need Is Love

como dizer...(?)

capítulo: 23...

Queria que as palavras ganhassem significados brilhantes e q fossem mais constantes em traduzir o quanto suas linhas escritas me fazem feliz!

Comecei a escrever porque era o q se esperava de mim, mas acabei entendendo que isso não tem princípio ou fim,
escrever é uma forma de gravar com palavras aquilo q sinto e as vezes nem consigo demonstrar com um olhar, ou sorriso...

Ajuda a conectar quem está distante e assim lendo, fica aqui...perto...de mim.

Queria traduzir sentimentos com palavras jogadas aleatórias nas linhas quebradas por pontos, vírgulas e exclamações!!!

Encontrei alguns alguéns para quem escrever ao longo ,
não quero expor nem a mim nem a ninguém, mas fico feliz também lendo, sendo assim especial para algum alguém...

As vezes sinto o tempo do verbo errado, meio gerundio , meio passado...
As vezes queria ter alguém aqui ao meu lado, calado...

As vezes abro um e-mail como uma carta,
sorrio e falo prá mim...é assim que deve ser,
será?
Talvez?
Vai ver, já é!

Como saber afinal?
Frio na barriga, bochechas vermelhas, mãos suadas...uma saudade daquilo que nem foi vivido, certeza que o tempo sofrido não voltará mais?

Quem sabe...
eu sei, e lá vem tudo de novo outra vez...

Amar é incondicional, que tal?

Será que cabe espaço para essa dor?
Amar dói?
Não amar dói mais...
quando deixa de ser a dois e passam a ser três...dói mais uma vez.

Onde encontro aquele por quem esperei a vida inteira? Estará ele aqui?
Existirá de fato, nesse mesmo tempo e lugar?

Onde está o sentido?
Quem souber pode falar, escrever...eu vou ler, prometo tentar entender, e atender o telefone quando ele tocar!
Ah amar,
a quem mais?

A todos a tudo e alguns alguéns mais, nada de olhar para trás...?

Será q encontro aquele q me procura assim tão somente a mim?

Vou ter coragem ou medo quando encontrar?

Vou reconhecer, pelas mãos ou pelo olhar?

Na foto dá pra adivinhar?
Pressentir?
Sentir afinal?

Acredito que sim, e assim aqui estou...sem procurar sei que vou encontrar mais uma vez o amor... 

festas de finde...

Capítulo 22...

Todo dezembro parece meio igual!
Amigos secretos, confraternizações, saída de férias, passadas nos shoppings e nas casas das avós...

Mas tem um ar legal,
Natal e Reveillon são boas ocasiões para ver quem não se espera e começar a planejar tudo diferente do que era...

Tem gente q se fantasia de Noel, gente que se sente mais perto do céu, ou seu...próximo, amigo, colega, familiar.
Festas  na casa da tia, cultos a Virgem Maria, a mãe de Jesus.
Independente de que cruz se leva ou crê, sem falarmos dos ques ou porquês...
Todos nos vemos num papel meio igual,
e é uma chance especial para perdoar, compreender e seguir em frente,
olhando um pouco para trás...talvez...que mal faz?

Aprender com experiências passadas,
com antepassados, passados e atuais,
somos todos iguais!

Pai, mãe e filho, sobrinho, neto, vizinho...

Bacana é quando se é feliz, fazendo alguém feliz...
Quando não se sente mais por um triz,
e que se é dono do próprio nariz.

Quando a dor do outro dói também aqui, quando um sonho não é só mais seu, é nosso,
 posso re-começar?

Hora de embalar presentes e ações, gerar gentilezas, delicadezas, comer framboesas, pensar no asilo, ir ao orfanato, mas só nessa época de fato?
Não, bom é quando esse espírito natalino vai conosco nos seguindo, todos os dias do próximo ano, e sai dos planos e papel prá ser de fato concreto.
Quantas instituições você visitou esse ano?
Quantas ajudou de algum jeito?

Não é necessário comprar apenas algo ou estar lá, arrume um tempo, divida sorrisos, divida esperanças, divida uma dança, e não só na fundação, pode ser em casa, com um irmão...dividir amor, é a única vantagem de se estar aqui, de ser realmente feliz!

Feliz Natal, em Natal ou no Piauí, em Petrópolis ou Imperatriz, Curitiba, Salvador, SP, temos um Rio em Janeiro inteiro para planejar tudo aquilo que se quiz...


  

Pra Você Guardei O Amor

Tudo Diferente

Sucesso do Sincerão!

Amigas(os)
quase sem palavras...estou!
O que começou como um desabafo, virou desafeto de alguns, que se afetaram demais e o pseudo afeto já não existe mais...
Virou desaforo, recebi 18 sms...punks!
Mas sobrevivi,
então acho que deu certo e já é um sucesso o SINCERÃO!
Thanks anyway...

Sobrevivi confesso a coisas piores, então no tocante...pq não posso eu mesma, rir de mim ?

Estava aqui a lembrar por quais outras situações "estranhas" tenho eu até as entranhas que procurar e vou dividir.

Minha primeira decepção no tocante ao que vestir com um novo pretendente:

Eis que eu, no auge dos meus 15 anos, fui convidada pelo então "pretendente" a passear...
O passeio devia ser algo do tipo ir na casa da minha tia, ver se a minha prima queria conversar...mas naquela época...de paixonite...já era um marco, um encontro enfim...
Depois ainda podíamos se a prima quisesse, ir ao cinema, assim não haveria problema de com um moço sozinha eu estar. Papai iria gostar da prima presente!

Com a tamanha importância do evento, meu primeiro encontro tinha que ser inesquecível, não dava prá ser banal.

Então, passei o dia inteiro no quarto me arrumando, bota pano, tira pano, tailler, macacão ou vestido? Sapato de salto ou boca de sino?
Bota ou casacão? Tantas dúvidas em questão, queria causar boa impressão, mas não parecer assim tão arrumada.Desesperada, queria soar casual.

Decidi depois de horas a fio, e uma pilha de roupas testadas, uma calça jeans e um blazer usar, na época(anos 90)tiro e queda; iria arrasar!!!

Eis que chega a hora e o moço eleito, toca a campainha da sala, e eu num passe de mágica, desço as escadas contente, correndo e  tentando disfarçar a tamanha euforia da espera, abro tranquilamente a porta... depois de respirar... e falo;
- já?

O jovem sem nem piscar respondeu;
" não, tô tranquilo , ainda dá tempo de você se arrumar!"

Tome, tomei...nunca soube se foi por ter tentado bancar a perfeita, ou se o figurino mesmo não tinha agradado, só sei que foi o maior babado, tentar rapidinho, outra roupa perfeita encontrar.


   

Qualquer Lugar

adendo...

Depois dessa gestalt, vou descansar a cachola e agradecer...o que mais posso fazer... Thanks a você e vocês, que vem aqui acompanhar e para quem eu tanto gosto de atualizar o meu SINCERÃO!!!

Eu te desejo

Pra você cuidar

MY WAY

capítulos: 20, 21...

(continuação)

Bem o que se segue ocorreu, sei pq foi comigo que aconteceu, e assim sucedeu...




Saí da tal ressonância com 3 vértebras da coluna quebradas, entre tantas outras partes fissuradas, rachadas, estraçalhadas...

Ao todo:

foram 11 costelas quebradas,

um edema na medula,

um pulmão perfurado,

homoplata esquerda fissurada,

uma prótese para o joelho,

preenchimento e alguns pinos na perna,

além da L1, L2 e L3...

as previsões da minha volta ao mundo, normal...já não era tão usada pelos médicos em geral.

Mas ao contrário de tudo e todos, eu estava animada. Talvez pelo choque da real descoberta ou pela morfina que continuavam a me aplicar. Dor de costela quebrada é horrível, mas não é nada comparada a possibilidade de não mais rir.

Então, minha mãe 25hs ao meu lado, fazia-me todos os agrados desde que me fizessem sorrir. E sorrimos, rimos, demos gargalhadas, quando numa tarde bem quente e ensolarada, lá vem Dulcinha e sua "cambada" , os doutores da alegria!
Fizeram tanta bagunça e demos taaanta risada, que eles literalmente foram convidados a deixar o local, pq naquela ala elegante do hospital,sorrir não era muito permitido não.
Só desistiram do ato, quando entraram em meu quarto e viram Dulcinha regendo maestrina toda aquela confraria. Dulcinha Lopes Pontes, no alto de seus 1 metro e cinquenta de altura, tinha tamanha estatura no conceito geral, que mudaram as regras do hospital rapidinho, e os doutores puderam me fazer rir, mais um pouquinho.


Atrelada a essa receita, minha querida vovó vinha quase todos os dias, trazendo geléia de mocotó. 
E foi nesse clima de festa que sempre chegavam os amigos, conhecidos e outros mais.


Minha emissora na época, mandava Mac Donalds escondido em meio a papelada, porque se algo mata em hospital é aquela dieta da nutricioista que perdeu de vista o paladar.

A senha para me ver prá quem fizesse a pergunta: Yarinha levo o q?

-Mac Donalds escondido!

...Um amigo foi de pasta de médico e de  branco vestido, muito metido...nem barrado foi na portaria. O distinto tem tanta fidalguia, que os porteiros até fizeram menção honrosa, sem saber que embaixo daquela estampa, tinha mesmo um contrabando com sundae, refrigerante e um mac plano feliz!

Passaram se dias, semanas e meses...talvez até ano... e eu gravava off de oferta de cama, e continuava no ar sendo garota propaganda...


Recebi propostas das mais indecentes, visita de manicures, cabelereira, amigo que montou quase uma penteadeira no quarto, parecia a verdadeira mudança do Garcia.

Não posso dizer que foi triste, se algo entedia é ter que contar a mesma história muitas vezes, e para esses q perguntavam, minha mãe já sacava uma matéria de revista com 4 páginas explicando o que houve, pq e quando.

Um dia de repente, tive uma grande vontade de me sentar, mais como?

Minha mãe tinha me deixado uns poucos momentos sozinha, e me arrisquei, juro que até hoje não sei, mas quando me vi estava desmaiada e sentada na cadeira do lado da cama.

Miha mãe entrou e em choque foi perguntando:
como é que colocaram minha filha aí?

Eu, já acordada disse; foi um anjo!

E no outro dia, a mesma cena sucedeu, eu não sei exatamente o q aconteceu, mas sei que em um mês, estava fora daquela cama, não exatamente caminhando, mas sentia meus pés, e já havia tomado meu primeiro banho!

Nos demos alta, e partimos para outra instância, com muita fisioterapia e comilança...corticóide engorda, mas o apetite que eu tinha pela vida era voraz...

Engordei um pouquinho, tive q emagrecer, a pernoca não aguentava a pressão e o joelho biônico reclamava a colocação. Trocamos. Em resumo: em menos de um ano, passando por alguns hospitais, eu estava novamente andando...de cadeira de rodas, depois de andador, muletas e por um bom tempo bengalas,tinha umas 3... agora fico pensado, nesses dias ainda vou estar surfando!

Porque voltar a mergulhar com cilindro eu já mergulhei...

E como é que não vou testemunhar um milagre, e lembrar de Irmã Dulce falando, vc não vai precisar operar e vai voltar a andar.

Meu médico q é bem famoso, até hoje não tem como atribuir a algo que não a fé.
Nos disse confessando, que quando era pequeno, resolveu ser médico por influência das visitas que sua mãe de voluntária fazia, as peregrinações q o Anjo Bom da Bahia, tinha lá no Bonfim.

Ele também era um milagre da nossa Dulce querida, como intecessora da fé. Então falem ou pensem o q quiserem, nós atribuímos a Ela e a Deus, esse milagre que hoje chamo de meu!

Não foi fácil, não foi sem fisioterapia, acunpuntura e muita fé, mas estou de pé, já faz um bom tempo e hoje daquele sujeito que disse que eu nunca mais iria andar, nem lembro do jeito ou rosto que tinha, mas agarrei com fé a esperança que vinha, e cá estou de pé...!

Se a alguém (ns) eu devo agradecer na Terra, certamente essa pessoa é minha mãe...por ter me dado a vida duas vezes, com a possibilidade de ter muita fé!


A Dulcinha que não precisou nem cumprir a promessa de subir as escadarias de joelho, antes q ela soubesse eu já tinha ido, e subido feliz aqueles e degraus...
A Maria Rita, irmã de todas as horas, tia Suzana pelos telefonemas, as lágrimas do Zé Mané e da Bia...
Noemia, Surya, Patricia, minha querida tia Eunice, Mônica, Nino, Mila, Junior, Marta e Mauricio, Cláudia,Roque e a tantos outros que foram sem nunca ter ido, aos enfermeiros(as) e funcionário (as) queridos que tão bem me trataram...
Aos meus muitos médicos e advogados!
Foi o melhor e mais profundo acontecimento da minha vida, porque mesmo eu vendo a partida de muita gente, eu fiz um joga fora, limpa e pronto, agradeci aos que não mais estavam pelos tempos passados e abri o coração e braços, para abraçar uma nova oportunidade na vida de viver e ser bem  mais feliz!!!
A morfina virou nome: da nossa gata,
as muletas e coletes: ex votos,
a cadeira está mais bem utilizada...
e aprendi tanto em tão pouco tempo que um ano ou mais, pareceu um momento que veio só para nos ensinar!
A vida é cheia de subidas, descidas e tem curvas no caminho também, mas a nós, cabe olhar bem o destino onde realmente se quer ir e estar!

Eu, quero voltar prá casa do MEU PAI!

- Serra do Luar -

Sodade

É ISSO AI

...milagres...


capítulos 18,19...

Da internação no primeiro hospital até ter alta...passou um bocado de tempo, então vou resumir para as partes mais relevantes, e porque não dizer...interessantes!

Assim que fui internada, só não o fui como indigente, porque havia um jornalista destacado para cobrir o acidente que me reconheceu,(Carlos Pacelli) sabe-se lá como e ficou ao meu lado literalmente, brigando no primeiro hospital por mim . Quando acordei algum tempo depois, já tinha quase que um comitê ao meu lado, com os donos da empresa de ônibus a postos, algumas enfermeiras e uma discussão: quem e como avisar...
Eu acordada olhei para o lado e sem entender onde estava só pedia para enfermeira, água por favor...
E nada da água ser servida, rapidamente atualizada do que ocorrera, pelo a partir dali grande amigo prá vida inteira...decidi que devia avisar minha mãe.

Lembrei do número do telefone e fiquei falando do lado de quem ligava, para ela ouvir que eu estava bem, qdo colocaram o telefone em meu ouvido, lembro de ter dito, acho que quebrei minha perna; " a senhora pode vir me buscar? Ainda preciso gravar..."
Seguiram-se mais umas três ligações, um para equipe que me aguardava, outro para o melhor amigo e um para o ex namorado. Desmaiei e só acordei quase depois de um mês...

Operações se seguiram, coma, UTI, e minha mãe sempre ali ao meu lado. Ficamos um mês sem poder mudar de cidade ou hospital, por causa dos pulmão perfurado...e pelo que sei, fui um sucesso, flores, telefonemas, amigos descendo no meio do hospital...e minha mãe pedindo, não venham...(em vão).

Muitos também se foram, outros foram constantes nos telefonemas q animavam minha mãe. Assim que descobri em partes o que tinha ocorrido, lembrei de ter agradecido por poder estar ali. Nunca chorei ou reclamei, pra falar a verdade me diverti um bocado, com minha mãe fazendo piadas em tempo integral e a ação social de um clube que no hospital fundamos, parecia mais uma grande festa de final de ano, com novos amigos e afins. Ganhei tantos presentes, de gente que conheci ali, fiz amigos, ajeitei relacionamentos, sonhei com outros tempos, mas sabia que além de não voltar a andar, mais coisas tinham mudado.

No mês seguinte, fomos finalmente de UTI aérea para uma capital, não quis SP ou RJ, queria a Bahia, era fevereiro e eu queria trabalhar no carnaval, srrsrs.

Até então não sabia exatamente o tamanho e complexidade do meu quadro em questão. Pedi foi feito, chegamos em Salvador com escolta e batedores, ambulância e um clima de urgência que não consegui entender. Não tinha só perfurado o pulmão esquerdo e quebrado algumas costelas, e uma operação no joelho a fazer?

Não era bem assim...

Assim que cheguei no hospital, Dulcinha já estava me esperando.*Dulcinha é irmã de Irmã Dulce carnal, que me chamava de neta tamanho o carinho que a amizade desde a mocidade entre nós se formou.

Eu sua neta e amiga , estava tão feliz por tê-la ali conosco, e no meio de muito alvoroço um moço, médico residente talvez, pegou logo meus exames e de uma só vez foi falando; você sabe que quebrou a coluna em três lugares e não vai mais andar?

Eu, minha mãe e não Dulcinha tínhamos tal informação...é que no hospital que passei tanto tempo primeiro, ninguém teve coragem de nos dizer, ou não quis.

Dulcinha foi logo clamando pela Irmã lá no céu, prometendo subir as escadas do Bonfim de joelhos (ela já tinha mais de 90 anos na época) e de repente no meio dos planos, via a primeira lágrima deixar escorrer. Mesmo assim, pedi retrato, passei batom e tenho até hoje guardado e eternizado esse momento,in...feliz!

Dali já estava indo para a ressonância e duas equipes de médicos diferentes vieram me propor alguns planos, a primeira:
...vamos já operar e você tem 15% de chances de voltar a andar.

A segunda menos elegante, já foi logo contando piada, sendo jocosa mas me pareceu bem articulada, e o médico chefe já foi logo dizendo, não tem chance de andar, prá que operar, vamos logo tratar do que adianta e o resto só com milagre.

Fui as pressas de maca fazer o exame e ficamos para decidir logo no fim.

Mas, naquela noite algo muito estranho e realmente divino aconteceu, ao entrar na ressonância magnética e passar um frio danado, ter que trocar de máquina por ter claustrofobia, agarrei num gatinho de pelucia que ganhei em Conselheiro Lafayete e batendo papo quem quem passava e me preparava na maca, comecei a orar. Chamei por Irmã Dulce que sentia próxima ... por conhecer seus passos. De repente no meio de todo aquele som estridente, incomodo e constante que a tal máquina faz, vi Irmã Dulce comigo, dizendo: calma minha filha, você não vai precisar operar e vai voltar a andar. Chorei tanto, que minha mãe ali do lado, logo tocou um botão, para parar o tal exame. Disse tranquilamente pra ela, não tem problema não, é que apareceu aqui dentro uma mensagem que me deixou feliz. Saí e escolhi a segunda opção.

Acho que achei mais honesta, e mais outra operação, não aguentava não. Já sabia que tinha escolhido no dia do acidente, ficar embora presentisse que não voltaria a andar...mas agora com aquela visão ou mensagem, fato , realidade ou alucinação?Tomava tanta morfina que já não sabia o que era noite nem dia, ou verdadeiro até então.

Mas meu coração confiante, disse que aquilo era fato e de algum jeito abstrato, eu voltaria a andar...

(continua)...

!Acidentes acontecem...e milagres também!

capítulos :15, 16, 17...


Já faz algum tempo q venho ensaiando prá dividir um dos capítulos mais importantes da minha vida, e por diversas razões ainda não consegui...então mãos a obra, coragem e pé no chão!
Numa dessas minhas idas e vindas, estava eu no interior de Minas Gerais, quando recebi uma telefonema, desses que te deixam cotente...
Precisavam da minha presença em Salvador nos dias seguintes para uma gravação, mas eu tinha acabado de chegar da Bahia e ido até Tiradentes de carro, levando parte da mudança, minha mãe de carona, Sarah e Mané (meus fiéis cães de guarda) e um CD de Ana Carolina que insistia em tocar, enquanto eu chroraaaaaava, lembrando do ex namorado, que tinha deixado na Chapada Diamantina e com o qual, eu vivia a terminar. 1.500km rodados e chorados, divididos num carro apertado entre sonhos, malas e um coração partido. Jurava que tinha achado o amor afinal, e vai ver que durante um tempo eu achei, o ruim foi não ter sido achada, lá na tal Chapada pelo dito também.
Então, assim recém chegada e ainda cansada, dessa; teria que viajar de novo até o aeroporto mais próximo que era em BH...para de lá partir para Salvador.
Chovia, a estrada molhada, eu com uma olheira prá lá de acentuada e um carro novinho que tinha ganho no dia, com laço de fita enfeitado, como se e para coroar o tal fim.
O estranho é que no dia anterior também havia chorado um bocado, com uma tristeza voraz, daquela que é capaz de arrebentar de soluços o peito.
Minha mãe muito tranquila, disse: filha, de carro você não vai... Minha idéia era deixá-lo no aeroborto em Confins e pegar na volta uns dias depois.
Como assim? Tinham dois carros parados ali do lado...e de que outro jeito eu viajaria até a capital?
Vai de táxi ou de ônibus, aproveita para dormir um pouco antes da gravação... disse Yarinha com convicção.
Procuramos um táxi para me levar a BH, mas não encontramos nenhum na cidade, o jeito era ir até São João Del Rey, pertinho, pegar um ônibus e partir. Fui bem mal humorada, o tal ônibus esperar...
Não subia em um desde mocinha, e já com a maturidade, achava o fim perder tanto tempo entrando de cidade em cidade até chegar ao destino final.
Mas com mãe não se discute, ela mandou eu aprumo... obedeci! Fomos até a rodoviária de carro, e antes do meu esperado veículo coletivo chegar, apareceu num escrito: Rio das Mortes, e eu disse, nesse não quero entrar. Rimos um pouco e discutimos o mal gosto do nome do lugar ...e quem nasce em Rio das Mortes é o que afinal?
Chegou um ônibus amarelo escrito Sandra , entrei, achei ruim e desci dizendo, não quero ir nesse aqui, não tem porta nem banheiro,( não imaginava ter que usar) mas me parecia estranho não ter. Minha mãe riu e me mandou subir novamente, de repente parecia que eu tinha uns 14 anos e estava indo para o sítio da tia Hermínia de castigo nas férias, mas eu já tinha 33... e tinha feito das estradas desse país, minhas amigas e companheiras, lembrei que um ano atrás, só de kms rodados foram 54 mil...por causa do Oi Brasil. Mas não teve jeito, subi e sentei na poltrona número 3.
Não era a minha e fui pra 4, era na janela ao menos, no sentindo oposto do motorista, e eu estava toda sem graça porque não tinha aquela porta que separa a cabine dos passageiros, e pelo espelho, via o motorista a me olhar ...
De km em km o ônibus parava, e dava impressão que até para a lombada ele ia perguntar: quer viajar?
É, eu tinha ficado muito impaciente e mal acostumada com prazos e estradas...não entendia o porque e prá que tanto parar.
Tínhamos viajado uma hora no máximo, quando passamos por São Brás do Suaçuí, prestei atenção na placa e lembrei que naquela cidade um ou dois anos atrás, tínhamos gravado... e ali naquela praça ainda via o MV Baldini dizer, montado num cavalo branco, até BH!!!
Sorri com a lembrança mas logo voltei a prestar atenção na estrada molhada. Uns 3 km passaram e do alto de uma montanha avistei na contramão, vindo em nossa direção um caminhão... A cada segundo passado ele parecia mais desgovernado e não ter nos visto, até então. Calculei rapidamente o tempo e pensei, se ele freiar, vai rodar na pista e vai nos acertar no meio. Foi terminar de pensar, colocar as mãos no rosto e esperar o impacto tosco de um caminhão baú vindo na pista em nossa direção.
Dali lembro de uma cena em slow, de tudo parecer meio matrix, e estar vendo numa precisão em super câmera lenta, a nossa caída que tempos depois fui saber, foi de 40 metros.
O ônibus parou numa espécie de riacho, e quando acordei, estava presa entre as ferragens, aos pés do motorista...explico: como não havia porta nem cinto de segurnça, quando batemos, caímos e eu não tinha onde segurar, então fui lançada para aquela barra de vidro e meu corpo girou em 90 graus, se encaixando entre o volante e os pedais do motorista. Muito tempo depois fui saber que fiquei quatro horas e meia espremida e soterrada em todas aquelas sobras do que era um ônibus,dentro de um espaço de 50cms. Meu joelho direito veio parar no meu ouvido, e o meu cabelo comprido, salvou meu rosto dos cacos de vidro, a outra perna abri num espacato e não sentia nada da cintura prá baixo, nem ao menos via meus pés.
Lembro em detalhes de ver uma equipe da TV Globo Minas entrar e perguntar se eu estava viva e querer me filmar, no que foram impedidos por alguém mais sensato que estava por lá. Um guarda rodoviário com o olhar assustado, parecia que tinha visto alma penada, que fala, quando comecei a perguntar: "Vocês vão me tirar hoje daqui? Tenho uma gravação importante, e acho que assim perco meu vôo se for demorar..."
Tadinha, delirando eu estava. A melhor sensação que tive foi quando os bombeiros chegaram, esses sim preparados para essas situações, um deles começou a conversar e a chamar meu nome quando a memória ia indo começando a escapar.
Aquela história de ver o filme da vida, é fato...e como num único ato, vi toda a minha passar. Daí lembrei de repente, que tinha a quem chamar, clamei por
Irmã Dulce e sinto até hoje arrepios quando senti ela por trás, me abraçar. Ficou comigo ali, todo o tempo, e eu numa briga de fé, lembrava que tinha visto alguns dias atrás, um filme onde Jesus dizia a Thomé, a passagem do CRER para VER e não ao contrário, senti-me mais uma vez confortada e se fosse ali testada, passava com louvor. Sabia que Deus me protegia e até a própria Virgem Maria eu tinha chamado para me acompanhar. Quando vi o ônibus estava cheio, de anjos e querubins, no mundo real as pessoas apenas viam um bando de bombeiros e maçaricos chegando...Eu feliz delirando...
Trouxeram até um caminhão guindaste de uma mineiradora emprestado, para ver se daquele buraco eles conseguiriam me tirar. Enquanto isso o motorista preso por mim e as ferragens, dizia algumas bobagens e não parecia compartilhar muito da fé. Todos os demais passageiros há muito tinham sido tirados, só sobrava eu, o motorista e meus pés que eu não via ou sabia, se aquela altura, veria de novo.
Lembrei de partes da minha vida que não tinha vivido, de momentos em que não havia correspondido as expectativas depositadas em mim, lembrei da minha mãe, e tive medo que ela se sentisse culpada, por naquele ônibus ter insistido em me colocar. Resolvi que não tinha medo de nada, e mesmo prevendo ficar aleijada, resolvi resistir e ficar...
A dor começou a ser insuportável no peito e eu queria um copo de água tomar, chegaram os pára-médicos e água não me davam... por um mistério divino, de repente nem me toquei, de que isso não seria um bom sinal.
Cobriram meu corpo exposto com um pano, eu tendo muito frio temia pelo escurecer do dia, e não dar tempo de viajar...
Começaram a cortar os ferros para liberar meu corpo preso, e num passe de mágica, sem noção de quanto tempo lá tinha estado, começava a sentir agora um corpo inerte ser içado, para cima da montanha voltar. A chuva era fina e os curiosos rezavam, outros apenas fofocavam:

Está viva ou morreu?

Perguntei da minha bolsa, queria meu celular para minha mãe ligar antes da má notícia chegar...

A bolsa foi esvaziada por algum oportunista ou golpista que apareceu prá espiar. Quando abri os olhos, cheguei na pista e vi sirenes para todos os lados, ambulâncias soube que chegaram 36.
Não é que tinha um helicóptero azul e branco, parado me esperando para o hospital mais próximo levar?
Eita fé que compensa, no meio de tanta desgraça uma GRAÇA para eu comemorar, ouvi um médico dizer : anda logo, ela não tem mais do que 15 minutos...O piloto perguntou: vou pra BH ou pro Rio? "Nada, para na primeira cidade que tiver, e com sorte ela ainda vai estar viva até lá."

Desmaiei confortada...rs

Acordei com portas se abrindo e depois virei lenda na cidade de Conselheiro Lafayete, onde dizem que uma moça caiu do céu, era eu no helicóptero... pousando no estacionamento do hospital, motivo pro "fala fala" na cidade durantes dias seguidos; teria a moça morrido?


(continua)